Se antes de morrer me fosse concedido o privilégio da derradeira viagem, voltaria ao rio Negro mais uma vez. Viajaria de Manaus, rio acima, até São Gabriel da Cachoeira e, se possível, mais longe, na direção da Colômbia. Quinze dias vendo o mundo refletir-se no espelho das águas escuras, o recorte verde da mata ciliar, os papagaios ao alvorecer e as circunvoluções arrojadas das andorinhas todo final de tarde.
Em São Gabriel, sentaria às margens da corredeira, e perderia o olhar no contorno das montanhas e da igreja dos padres salesianos, contra o céu de nuvens brancas.