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Produção de vacinas
Instituto Butantã: centro produtor de soros e vacinas
Produção de acordo com os padrões internacionais
Importância da pesquisa para o desenvolvimento de projetos
Produção do sulfactante pulmonar
Vacina contra hepatite B
As forças ocultas existem
Vacina de meningite B e associação de vacinas
Promessa de futuro promissor





Isaias Raw, um dos mais eminentes cientistas da área das ciências biológicas do Brasil, foi professor de Bioquímica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, trabalhou no exterior no período em que esteve exilado depois da revolução de 1964 e hoje dirige o Instituto Butantã, um dos orgulhos da ciência nacional.

Vacina de meningite B e associação de vacinas

DrauzioO Butantã produz vacina contra meningite?
I.Raw – A vacina da meningite B distribuída no mundo é cubana e, por razões que ninguém podia prever, só funciona acima dos quatro anos de idade. Meningite B é um problema de saúde que atinge principalmente crianças de zero a dois anos, faixa etária em que a vacina não funciona. Temos uma vacina pronta para teste, mas não sabemos se a nossa vai funcionar ou vai ser igual à cubana. No entanto, tem sido extremamente difícil encontrar um serviço de saúde disposto a colaborar conosco testando essa vacina.

DrauzioE não se trata de uma vacina produzida de qualquer jeito. Ela é produzida de acordo com a mais moderna tecnologia, não é verdade?
I.Raw – A vacina só pode ser testada, se alguém inspecionar a fábrica e deve ser experimentada antes em animais para provar que não é tóxica nem lesiva. Com cobaias já deu certo, resta saber se dará com as crianças. Por isso, tem de ser testada em crianças de menos de dois anos de idade. Não existe outra forma.

Drauzio Qual a vantagem de associar a vacina contra hepatite ao BCG?
I.Raw – No Brasil, com menos de um mês de idade e eventualmente ainda na maternidade, a criança deve receber duas doses de vacina: uma de BCG contra a tuberculose e uma contra hepatite B. A vacina contra a hepatite, como a tríplice e outras mais, tem como adjuvante o hidróxido de alumínio, substância encontrada na pasta de dente, por exemplo, essencial em sua composição e responsável pela dor que a aplicação provoca. Além disso, em 10% das pessoas vacinadas não funciona. Então, levantamos a hipótese de que a solução seja dar um quinto da vacina de hepatite junto com BCG. Ainda na maternidade, a criança recebe as duas vacinas de uma só vez, numa única picada o que lhe poupa sofrimento e diminui os gastos porque as seringas, às vezes, custam mais caro do que a própria vacina.
Associar a vacina da hepatite B com a de tuberculose é uma solução brasileira. Quantos países do mundo usam o BCG? Poucos. Quantos países têm enfermeiras treinadas para aplicar injeções intradérmicas? Um milhão de doses de vacinas contra a hepatite fabricadas no Butantã já foram ministradas sem provocar nenhum efeito colateral, a não ser a dorzinha decorrente do hidróxido de alumínio. Nós queremos estender esses testes para descobrir se o método funciona também em adultos que nunca foram vacinados e aumentar o número de pessoas protegidas contra essas doenças.