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Entrevistas: Médico pneumologista, professor da Universidade São Paulo. Médico cirurgião, chefe do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer ACCamargo de São Paulo e professor na USP e na UNIP. |
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Enfisema Pulmonar
Seu João fez 66 anos no mês passado e fuma um maço de cigarro por dia desde os dezesseis anos. É casado com a mesma mulher há quarenta anos, tem duas filhas e três netos. Trabalhou em escritório a vida toda, mas ultimamente tem sido obrigado a reduzir a atividade por sentir-se indisposto. Atribuiu o cansaço à idade. Nos últimos dois anos tem sentido falta de ar progressiva ao subir escadas. A tosse crônica da manhã ficou mais intensa e carregada de secreção escura...Nesse período teve dois quadros de infecção pulmonar que exigiram tratamento com antibióticos. Nas últimas semanas, depois de uma gripe que pegou do neto, seu João caiu de cama. No momento, apresenta falta de ar aos pequenos esforços. Um simples banho obriga-o a ter de voltar para a cama e chega a esperar trinta minutos para conseguir tomar o café da manhã. Seu João é portador de enfisema pulmonar. Introdução O enfisema é uma doença resultante da destruição gradual e progressiva dos alvéolos pulmonares. Os pulmões são constituídos por bolsas microscópicas extremamente finas que permitem a passagem do oxigênio para o sangue. São os alvéolos, minúsculas estruturas esponjosas e elásticas, através dos quais ocorre a oxigenação do sangue. A principal causa do enfisema é o fumo. Outras substâncias irritantes, como poluentes do ar e vapores químicos, também podem provocá-lo. No enfisema, os alvéolos se transformam em bolsas rígidas, grandes e de parede espessada, que aprisionam ar em seu interior. É como se fossem balões de aniversário velhos, sem elasticidade, que não conseguem se esvaziar completamente. "Essas 'bexigas' cheias de ar impedem a troca gasosa; como conseqüência, a oxigenação do sangue torna-se deficiente e a respiração, penosa". As palavras são do cirurgião especialista em tórax, Riad Younes, que descreveu em entrevista a Drauzio Varella, parte de sua experiência com pulmões afetados por diversos tipos de males, entre eles, o enfisema. Fatores genéticos podem explicar por que não-fumantes e algumas famílias têm maior tendência a desenvolver a doença. Para maiores detalhes, visite também a entrevista com o pneumologista Ronaldo Kairalla. Sintomas Geralmente, a doença começa com falta de ar insidiosa. Os 3 lances de escada que a pessoa que subia com facilidade são, agora, um obstáculo que lhe rouba o fôlego, obrigando-a a respirar fundo antes de começar a falar. Essas primeiras alterações do fôlego costumam ser sutis, a pessoa se acostuma diariamente a elas e quando percebe que atividades anteriores custam mais para serem realizadas, atribui a causa à idade, ao cansaço da vida moderna ou à falta de preparo físico. Gripes e resfriados ficam mais freqüentes, de curso prolongado e podem provocar complicações infecciosas como bronquites, sinusites e pneumonias. Não há dúvida de que a principal causa do enfisema é o cigarro. Quanto maior o número de cigarros fumado ao longo dos anos, maior a probabilidade de desenvolvimento da doença, maior a velocidade de progressão e a precocidade do aparecimento dos sintomas. O pulmão é um órgão que funciona com largas reservas. O Dr Kairalla cria uma imagem para facilitar o entendimento: "Se os pulmões fossem esticados, de forma a distender os alvéolos ao máximo sua superfície, daria para cobrir uma quadra de tênis. Sentados e conversando, usamos apenas 20% de sua capacidade; as atividades do dia-a-dia consomem não mais do que 30 ou 40%". Por isso, os diagnósticos de enfisema são feitos, geralmente, quando o paciente já tem idade avançada e está com boa parte do pulmão comprometido pela doença, como no caso do S. João. Chiado no peito, respiração ofegante, tosse crônica com secreção são sintomas inseparáveis do enfisema. A medida em que a falta de ar se agrava, tornam-se mais intensos. Nas fases finais, o doente perde o fôlego aos mínimos esforços atividades insignificantes como fazer a barba, almoçar ou chegar até o banheiro ao lado podem representar um esforço de correr uma maratona. Nessa fase, a secreção pulmonar é espessa e abundante, o que agrava ainda mais o quadro. Surge, então, a dependência de oxigênio. O doente não consegue fazer mais nada sem ter o balão ao lado. |
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