Cuidados paliativos

Houve um tempo em que a medicina tratava os doentes enquanto considerava haver possibilidade de cura. Depois, os médicos aconselhavam a família a levar o paciente para morrer em paz em casa. Infelizmente, na grande maioria dos casos, essas pessoas morriam no meio de grande sofrimento atroz, desassistidas.
Testemunhei esse procedimento médico no início de minha carreira de oncologista. Quando se esgotavam todos os recursos terapêuticos, a alternativa era liberar o doente para passar seus últimos dias de vida em casa, ao lado dos familiares, e o leito era ocupado por outro com chance de sobrevida.
De uns anos para cá, e já não sem tempo, a medicina resolveu assumir a responsabilidade que lhe cabe nessas situações. O compromisso do médico só termina com a morte do paciente, quer ele esteja em casa ou no hospital. Essa nova concepção de atendimento aos doentes fez florescer a especialidade de Cuidados Paliativos. Seu principal objetivo é aliviar o sofrimento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes com “doença ativa e progressiva que ameace a continuidade da vida”.