Mononucleose
Transmissão do vírus
Potencial de infecção
Sintomas
Infecção na infância
Comprometimento do fígado
Tratamento
Um vírus, duas doenças






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Dr. João Silva de Mendonça é médico infectologista, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor do Serviço de Moléstias Infecciosas do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo.

Infecção na infância

Drauzio Há um exame de sangue especifico para diagnosticar a mononucleose. Quando adultos fazem esse exame, muitas vezes, se verifica que a grande maioria, aproximadamente 90%, teve a doença no passado, sem se dar conta de que estiveram doentes. Como você explica esses casos?
João Mendonça – A explicação tem como base as investigações de soroprevalência e as análises de correlação com o adoecimento. Nas populações menos favorecidas sob o ponto de vista socioeconômico, a aquisição do vírus é muito precoce. O pico da doença ocorre na infância, entre cinco e dez anos, e não na adolescência ou nos adultos jovens, mas a taxa de adoecimento é baixa. Diria que a cada dez ou vinte crianças infectadas, apenas uma adoece com os sintomas clássicos que estamos descrevendo. Já, entre 15 e 25 anos, para cada duas ou três pessoas que se infectam, uma ficará doente.

Drauzio Por que a criança desenvolve menos a doença do que os adolescentes?
João Mendonça - Não há uma explicação clara para isso. O fato é que a criança adoece menos. Pode ser que ela tenha a doença sem as características típicas da mononucleose. Talvez apresente um quadro respiratório frustro, que passa sem diagnóstico e não fica registrado como documentação da doença no passado.

DrauzioNas crianças, o quadro clinico é ausente ou é confundido com o das infecções banais da infância?
João Mendonça – A segunda hipótese é mais provável. Nelas, a doença se confunde com as infecções banais que apresentam com freqüência e não tem as características próprias da mononucleose, o que não acontece com o adolescente e o adulto jovem.