Mononucleose
Transmissão do vírus
Potencial de infecção
Sintomas
Infecção na infância
Comprometimento do fígado
Tratamento
Um vírus, duas doenças






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Dr. João Silva de Mendonça é médico infectologista, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor do Serviço de Moléstias Infecciosas do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo.

Potencial de infecção

Drauzio Quando um adolescente não infectado entra em contato com a saliva de uma pessoa contaminada pelo vírus, qual caminho esse vírus desenvolve no organismo?
João Mendonça – A porta de entrada é a mucosa da boca e a faringe da pessoa que não teve contato anterior com o vírus, mas as células do tecido linfóide são o alvo da infecção pelo Epstein-Barr, que faz parte da família do herpesvírus Admite-se, também, que ele possa infectar as células epiteliais da faringe e que essa infecção explique por que esse vírus esteja implicado no aparecimento do carcinoma da nasofaringe.

Drauzio Portanto, o mesmo vírus que provoca a mononucleose, em algumas pessoas mais susceptíveis, pode provocar doenças malignas...
João Mendonça – Como boa parte dos herpesvírus, o Epstein-Barr traz consigo certo potencial oncogênico e relaciona-se com o carcinoma de nasofaringe (mais prevalente nas populações orientais) e com alguns tipos de linfoma. Aliás, esse vírus foi identificado pela primeira vez na África, em crianças com linfoma de Burkitt, ou linfoma africano. Hoje, ele parece estar envolvido com outros tipos de linfomas, como é o caso dos linfomas da célula T.

Drauzio – Depois de atingir a faringe e infectar o tecido linfóide, qual o destino do vírus?
João Mendonça – Nos linfócitos classificados como linfócitos B, há um receptor específico para esse vírus. Neles, o Epstein Barr se prolifera e invade a corrente sangüínea, provocando viremia, pois espalha-se por todo organismo humano onde existam células linfóides. Portanto, a doença dissemina-se pelo fígado, baço, medula óssea e gânglios linfáticos.

Drauzio Qual é o período de incubação do vírus, isto é, do momento em que ocorreu a infecção até surgirem os primeiros sintomas quanto tempo leva?
João Mendonça – O período de incubação não é definido com exatidão. Deve situar-se entre 4 e 6 semanas em média. Nas crianças pequenas, costuma ser um pouco mais curto, de duas semanas aproximadamente. A partir de um caso índex, quem é contaminado pela saliva pode adoecer várias semanas depois, o que dificulta a ocorrência de casos concomitantes.