Medicina Esportiva
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Dr. Gilberto Camanho é médico ortopedista. Especialista em Medicina Esportiva, trabalha no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.


Esportes para mulheres

Drauzio - Antigamente, mulheres não jogavam futebol. Dizia-se que não era esporte adequado para elas. Existe alguma diferença entre os sexos que deva ser respeitada quando se escolhe um esporte para praticar?
G. Camanho - Infelizmente, as mulheres ficam bravas quando se fala que existe uma diferença entre os sexos quando se trata de prática esportiva. O conceito antigo era que as mulheres se lesionavam menos que os homens. Estudos epidemiológicos recentes mostraram que randomizando, ou seja, escolhendo ao acaso, se compararmos populações de mulheres e de homens que praticam futebol, veremos que elas se machucam mais. Não tenho a menor dúvida de que existem esportes com características mais femininas e esportes com características mais masculinas.

Drauzio - Que esportes seriam esses?
G. Camanho - O futebol é exemplo de esporte com características mais masculinas. No entanto, o vôlei feminino é muito mais bonito, ágil e gracioso do que o masculino que se caracteriza por uma seqüência de marretadas na bola e por disputa para ver quem salta mais alto. Com as mulheres, o esporte flui, a torcida vibra e o jogo é mais equilibrado. E não é só esse. Esportes aquáticos são perfeitos para as mulheres, assim como os esportes de solo porque elas são muito mais flexíveis do que os homens. Prova disso é a ginástica de solo olímpica feita por uma moça ou por um rapaz.

Drauzio - E essa febre de academias que tomou conta das pessoas, ajuda ou atrapalha?
G. Camanho - A procura por academias passou por uma fase de exagero, mas acabou se transformando numa atividade saudável. Hoje, elas estão bem aparelhadas e contam com bons professores. Na verdade eles passaram a ser fator de diferenciação entre os diversos estabelecimentos, uma vez que os freqüentadores escolhem os que tem melhores profissionais.