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Dr. Gilberto Camanho é médico ortopedista. Especialista em Medicina Esportiva, trabalha no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.


Dor durante o exercício

Drauzio - A dor durante o exercício físico é um sinal importantíssimo de alarme, mas, durante a corrida, por exemplo, podem aparecer dores passageiras e dores que se agravam à medida que o exercício se prolonga. Como se distinguir umas das outras?
G.Camanho - A dor que passa durante a atividade física, em geral, é dor de adaptação metabólica do músculo ao exercício. Ou seja, no início do exercício, a atividade metabólica intensa faz o músculo doer, incomodar. Normalmente não se trata de uma dor pontual, bem definida. A perna fica um pouco pesada e a panturrilha também. O exercício progride e os sintomas melhoram. A dor decorrente de problemas mecânicos, a que mais nos assusta, é progressiva. A pessoa dá um passo e sente uma dor que se define num determinado ponto. Insiste e a dor aumenta. Nesse momento, é preciso suspender a atividade porque a dor é indício de que, mecanicamente, determinada estrutura não está suportando o esforço. O interessante é que esse sintoma, às vezes, ocorre num dia e não ocorre no outro e muitas são as razões possíveis: a pessoa não repousou como deveria, sua alimentação não foi adequada, ou está tensa e intranqüila. Qualquer atividade física depende de atenção a esses pré-requisitos. O atleta profissional de alta performance mostra isso claramente. Pode perder de 10% a 15% do desempenho habitual porque discutiu com a mulher na noite anterior ao jogo.

Drauzio - Nesse sentido, os atletas profissionais parecem mais cuidadosos do que os amadores. Doeu, eles param para não agravar o problema.
G.Camanho - Param a fim de não provocar uma lesão que vai afastá-lo do esporte por muito mais tempo. Essas lesões musculares e tendinites demoram muito para cicatrizar e tiram o atleta de atividade por 30, 40, 60 dias o que para ele pode ser trágico.