Deficiência Visual
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Dra. Maria Aparecida Haddad é coordenadora clínica do Instituto Laramara, da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual e colaboradora do Ambulatório de Visão Subnormal do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.


Deficiência Visual

O olho é o órgão da visão, um mecanismo sofisticado de comunicação com o mundo exterior. Ele é formado por três camadas: esclera (o branco do olho), coróide (camada vascular fina e pigmentada na qual se encontram a íris e a pupila) e retina, onde se localizam os receptores fotossensíveis.
Os raios luminosos entram pela pupila, atravessam o cristalino, uma lente gelatinosa, sofrem convergência e vão incidir sobre a retina. Nela existem neurônios que captam a luz e jogam os estímulos visuais no nervo ótico que os conduzirá até a área mais importante da visão: o lobo occipital situado no cérebro.
A imagem que se formou na retina é invertida e será decomposta de acordo com o formato e a cor. As linhas verticais caminham por um circuito de neurônios; as inclinadas, por outro circuito; as circulares, por outro ainda. Com as cores que compõem o espectro do arco-íris, dá-se o mesmo e cada uma é conduzida por um circuito de neurônios até o centro da visão no lobo occipital, onde a imagem será remontada.
Portanto, quem realmente enxerga não é o olho, é o cérebro, que monta as imagens e estabelece relações com a memória, o que permite saber se estamos vendo um copo, um cachorro ou uma pessoa.
Essa decomposição da imagem em vários fragmentos é muito importante. Sem ela, só seríamos capazes de entender os objetos ou seres que víssemos integralmente. Entretanto, quando vemos um pedaço do rabo de um animal virando a esquina, não precisamos vê-lo inteiro para saber que se trata de um cachorro ou de um rato.
Qualquer alteração que ocorra no caminho percorrido pelos raios luminosos até o cérebro pode provocar deficiência visual. Por exemplo, a catarata que acomete especialmente os idosos, mas não só eles, é causada pelo espessamento do cristalino. Outros problemas podem aparecer na córnea, na retina, no nervo ótico, ou no cérebro, o que acontece nos casos de derrame cerebral em que as pessoas perdem as áreas que coordenam a visão.