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Dra. Carmen Vergueiro é hematologista e trabalha na Santa Casa de São Paulo. Dra. Juliana Serro é membro da AMEO (Associação de Medula Óssea).

Tipos de transplante

DrauzioExplique um pouco o que é um transplante autólogo.
Carmen Vergueiro – No transplante autólogo, usa-se a medula do próprio paciente. Parte dela é retirada para ser recolocada depois porque o que restar dela no organismo do paciente será completamente destruído. A idéia é de que se pode preservar a medula, enquanto o ele recebe altas doses de quimioterapia, na verdade um tratamento de choque para erradicar a leucemia.
Depois, as células-mães retiradas são devolvidas para recompor a medula óssea.
Como a leucemia é uma enfermidade que está dentro da medula é muito difícil conseguir que essas células estejam absolutamente limpas, livres da doença. Pode acontecer, então, que elas se proliferem e a doença volte.

DrauzioQuer dizer que a medula óssea é retirada e conservada adequadamente. A seguir, o paciente recebe altas doses de quimioterapia que destroem não só o câncer, mas atacam outros tecidos também, entre eles a medula óssea que permaneceu no corpo do doente. Depois, o material colhido antes de iniciar o tratamento é devolvido ao paciente, todavia ele pode estar levando consigo células leucêmicas?
Carmen Vergueiro – Parte-se da idéia de que é possível conseguir uma medula tratada, com poucas células malignas, mas a experiência mostra que os transplantes autólogos estão relacionados com alto índice de recidivas porque não conta com o efeito imunológico dos transplantes alogênicos. Quando se coleta a medula de um doador estranho, de certa forma ela protege o receptor contra a volta da leucemia, pois assim como reconhece o organismo do paciente como estranho, reconhece como estranhos o tumor ou a leucemia.
Drauzio – Isso quer dizer que as células competentes imunologicamente do doador não só vão rejeitar os tecidos do receptor, como vão rejeitar as células leucêmicas.

Carmen Vergueiro – Está aí um dos grandes benefícios dos transplantes alogênicos, isto é, que utiliza a medula de outra pessoa.

DrauzioNos transplantes de medula óssea, o doente é tratado com doses maciças de quimioterápicos e radioterapia que destroem completamente sua medula. Passada essa fase de bombardeio, devolve-se a medula que foi retirada previamente (transplante autólogo) ou se transplanta a medula de um doador (transplante alogênico). O que acontece com o paciente nesse período?
Carmen Vergueiro –Nessa fase se faz a mieloablação, ou seja, um tratamento que inclui altas doses de quimioterapia, o paciente pára de produzir glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas e fica totalmente sem defesa. Esse é o grande perigo. Quando ele recebe de volta a própria medula ou a que foi doada por outra pessoa, por meio de uma simples transfusão de sangue, as células da medula vão migrar até os ossos onde funcionarão como um enxerto e levará tempo (mais ou menos duas semanas) para que sejam produzidas as novas células do sangue. Nesse intervalo, até que o paciente recupere a produção de glóbulos brancos, plaquetas e hemácias, seu estado é grave e ele precisa de grande suporte médico-hospitalar porque não tem sistema de defesa e o risco que corre é alto.