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Dra. Carmen Vergueiro é hematologista e trabalha na Santa Casa de São Paulo. Dra. Juliana Serro é membro da AMEO (Associação de Medula Óssea).

À espera de um transplante

Drauzio No seu caso particular, como é o tratamento que está fazendo depois que a doença foi diagnosticada?
Juliana Serro – Graças a Deus, sou portadora de leucemia crônica que, por enquanto, estou conseguindo controlar com medicamentos.


DrauzioVocê consegue conviver bem com a medicação?
Juliana Serro – O medicamento tem alguns efeitos colaterais. Tenho muito sono, um pouco de inchaço e de retenção de líquido, mas são efeitos adversos com os quais consigo conviver e me deixam levar vida normal. No entanto, isso não acontece com a maioria das leucemias. Nesse aspecto, a leucemia crônica é quase uma exceção. Muitas pessoas têm leucemia aguda e não dispõem de muito tempo de vida para encontrar um doador. Por isso me envolvi nesse trabalho que tem surtido efeito, aumentando a esperança de quem precisa de um transplante de medula óssea.

DrauzioComo você disse há dois tipos de leucemia. A leucemia aguda, uma doença mais agressiva e de evolução muito rápida, e a leucemia crônica que, embora não seja curada com medicação, responde ao tratamento durante muito tempo. Nesses casos o transplante de medula óssea representa um tratamento de choque capaz de curar definitivamente a doença.
Como você se sente sabendo que, de certa forma, depende da boa vontade das pessoas em doar uma amostra de sangue para encontrar a medula óssea capaz de salvar sua vida?

Juliana Serro – É bastante complicado. Normalmente, encaro o problema com bastante esperança e continuo fazendo meu trabalho nessa campanha, tentando aumentar cada vez mais o número de doadores, mas é óbvio que há ocasiões em que me desespero porque acho que estamos longe de conseguir um banco, um REDOME, com muitos doadores o que aumentaria nossa chance de cura. Na maior parte do tempo, porém, acho que as pessoas são muito solidárias e que, se a informação chegar até elas, estarão dispostas a colaborar com nossa causa.

DrauzioNa AMEO, há pessoas que estão numa situação parecida com a sua. Você já acompanhou casos de pessoas que faleceram antes de conseguir uma medula compatível para transplante?
Juliana Serro – Já tivemos duas pessoas que faleceram enquanto procuravam doador. Eram pessoas próximas que participavam da campanha e tinham leucemia aguda. Como não podiam esperar mais, submeteram-se a um transplante autólogo, ou seja, da própria medula. Infelizmente, o tratamento não teve sucesso e elas faleceram.