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Dra. Carmen Vergueiro é hematologista e trabalha na Santa Casa de São Paulo. Dra. Juliana Serro é membro da AMEO (Associação de Medula Óssea).

Comportamento dos doadores

DrauzioComo os potenciais doadores se comportam ao saber que basta tirar uma amostra de sangue e preencher um cadastro para fazer parte do REDOME?
Carmen Vergueiro – O desconhecimento sobre a doação de medula óssea é enorme. Quando as pessoas são informadas de como é fácil ser doador voluntário ficam surpresas. Não podiam imaginar que doar a medula óssea fosse simples nem que pudesse ser feita em vida. Não sabiam que ela se reconstitui, se regenera em pouco tempo. Nesse campo, a falta de informação é o principal problema.

Drauzio Que tipo de abordagem vocês fazem para motivar a população para doar a medula óssea, uma vez que o ideal seria que todas as pessoas entre 18 e 55 anos fossem doadoras, pois a chance que os doentes têm de encontrar uma medula fora da família é muito pequena?
Carmen Vergueiro – Em geral, as pessoas só se sensibilizam quando vêem o desespero e o sofrimento de uma família que procura um doador para alguém muito próximo. Por isso, temos feito um trabalho com doentes e familiares que passaram por essa experiência na vida. Formamos com eles um grupo que divulga material informativo, distribui folhetos, faz palestras, visita faculdades para conseguir doadores voluntários.
Se soubermos que numa cidade alguém precisa de transplante e não encontra doador, vamos para lá e iniciamos uma campanha de esclarecimento. Assim, além de informar corretamente a população, conseguimos registrar muita gente que se solidariza conosco e se engaja na campanha.

DrauzioVocê faz uma idéia do número de doadores inscritos nesse programa?
Carmen Vergueiro – No REDOME há atualmente em torno de 45.000 pessoas registradas. Os Estados Unidos têm 5 milhões. Portanto, no Brasil é muito pequena a possibilidade de achar um doador compatível. Já nos Estados Unidos, em média, é de mais ou menos 50%. Dependendo do tipo de herança genética, se for das mais freqüentes, a chance de achar alguém no registro americano é de 80% e, se for uma herança mais rara, de 30%. Nós, brasileiros, podemos recorrer aos registros americanos e europeus, mas como nossa herança genética é muito miscigenada, o mais provável é que se encontre um doador em nosso país.