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Doadores voluntários Drauzio - Você disse que a chance de conseguir um irmão como doador compatível é de 25%. Portanto, em cada quatro irmãos apenas um teria medula compatível. Se estendermos a busca estendida entre os parentes, de 7% a 10% dos doentes conseguem encontrar um doador adequado. O que acontece com os outros? Carmen Vergueiro – Os outros têm de recorrer aos registros de doadores voluntários, pessoas que se dispõem a doar uma pequena parte de sua medula óssea para qualquer paciente que necessite de um transplante desde que seja compatível com ele. Drauzio – O que precisa fazer um doador voluntário de medula óssea? Carmen Vergueiro – Primeiro, o doador voluntário precisa preencher um cadastro e colher uma amostra de sangue para um teste de compatibilidade (HLA). O resultado obtido por meio de um exame de laboratório bastante comum é colocado num banco de dados do Ministério da Saúde, o REDOME (Registro dos Doadores de Medula), no Rio de Janeiro. Sempre que houver um paciente que necessite de transplante e não tenha encontrado doador na família, os médicos podem consultar esse registro e, encontrando uma pessoa compatível, convocá-la para realizar novos exames de sangue e para uma avaliação clínica a fim de saber se pode de fato doar a medula. Drauzio –A pessoa doa uma amostra de sangue, preenche um cadastro e volta para casa, mas pode acontecer que nunca seja chamada. Carmen Vergueiro –Imagina-se que em cada dez mil pessoas registradas, apenas uma será doadora, porque a probabilidade de encontrar alguém compatível fora da família é muito pequena. Drauzio – Vamos supor que eu necessite de um transplante de medula óssea. Você testa as pessoas de minha família e não encontra nenhum doador compatível. Qual a minha chance de conseguir uma medula compatível na população como um todo? Carmen Vergueiro – Varia de uma para dez mil a uma para um milhão, dependendo de sua herança genética. Se for um tipo mais freqüente, sua chance é uma em dez mil. Se for raro, será uma em um milhão. De qualquer modo é sempre difícil encontrar um doador compatível. Drauzio – Para montar esse arquivo, o sangue dos doadores voluntários é colhido no Brasil inteiro? Carmen Vergueiro – O sangue é colhido nos hemocentros dos diversos estados. O processo é bem simples. O doador vai ao hemocentro mais perto de sua casa, colhe uma amostra de sangue e preenche um cadastro. Essa amostra é enviada para um laboratório de histocompatibilidade, que faz um exame e envia o resultado e os dados do doador para o REDOME, no Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, onde fica centralizada a informação obtida no Brasil inteiro. Se um paciente precisar de transplante, realiza-se uma busca nesse cadastro para ver se existe alguém compatível. |
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