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Doença enxerto versus hospedeiro Drauzio – Nos outros transplantes, o receptor rejeita o órgão que não seja totalmente compatível com seu organismo. Nos transplantes de medula óssea, o processo de rejeição tem características opostas. Você poderia explicar o que acontece quando o paciente recebe uma medula que não é inteiramente compatível? Carmen Vergueiro – A medula óssea tem uma característica diferente porque é ela que produz os glóbulos brancos e o sistema imune. Toda a nossa resposta imune vem da medula óssea. Como no transplante de medula o paciente recebe um novo sistema imune, os glóbulos brancos do doador reconhecem como estranho o organismo do receptor e passam a agredi-lo. É o que se chama de doença enxerto versus hospedeiro, responsável pela maior causa de mortalidade nesse tipo de transplante, e que tem enorme impacto na sobrevida dos pacientes. Por isso, é indispensável que a compatibilidade entre doador e receptor seja absoluta para minimizar, o máximo possível, os danos que essa doença pode provocar. Drauzio - Nesse sentido, o transplante de medula óssea é completamente diferente dos outros transplantes. Não é o receptor que rejeita o transplante. É a medula do doador que rejeita o hospedeiro. Na clínica, quais são os quadros associados a essa reação adversa? Carmen Vergueiro – A agressão se manifesta em lesões de pele, de pulmão, de fígado, no trato gastrintestinal, enfim todo o organismo pode ser agredido. Além disso, pode ocorrer um retardo na recuperação do paciente e na produção dos glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo. |
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