Hipertensão: mal silencioso

Drauzio – Geralmente,
as pessoas não controlam a pressão arterial, porque
não sentem nada que justifique esse cuidado. Mesmo aqueles
que sabem ter hipertensão se descuidam quando não apresentam
sintomas. Muitos deixam até de tomar a medicação
depois de duas ou três medidas com resultado normal. É
muito difícil convencer os hipertensos de que devem controlar
a pressão e tomar remédios para o resto da vida?
Sergio Oliveira – Isso é responsabilidade
do médico, que deve dedicar longo tempo em muitas consultas
consecutivas conscientizando o paciente da necessidade de seguir o
tratamento para a hipertensão. O que em geral acontece é
ele procurar o médico numa crise ou quando teve derrame cerebral,
insuficiência cardíaca ou renal, infelizmente fases muito
avançadas da doença hipertensiva, em que serão
tratadas suas conseqüências.
Não sou especialista na área, mas sei que a primeira
coisa a fazer é corrigir a dieta, perder peso e praticar uma
atividade física. Outra medida importante é identificar
se não existe uma causa da hipertensão que possa ser
tratada e removida. Certas doenças congênitas provocam
hipertensão grave na criança. Por exemplo, o coartação
da aorta, ou seja, o estreitamento congênito dessa artéria,
é perfeita e definitivamente curável por meio de uma
cirurgia que se faz no primeiro ano de vida. Doenças renais
ou um tumor na supra-renal também podem ser causas removíveis
de hipertensão.
A maioria dos pacientes, porém, apresenta a chamada hipertensão
essencial, sem causa conhecida, que não tem cura, mas pode
ser controlada, inicialmente com medidas mais simples e depois com
medicação, em doses progressivas, se necessário.
Às vezes, a pessoa pode até dispensar o uso de medicação
porque conseguiu controlar a pressão arterial com perda de
peso, eliminação do sal e um pouco de atividade física,
mas ela voltará a subir se essas medidas de controle forem
abandonadas.
Drauzio – Quais são as conseqüências
para um paciente que não controla a pressão arterial?
Sergio Oliveira - Esse paciente vai apresentar insuficiência
cardíaca, insuficiência renal ou derrame cerebral, todas
doenças gravíssimas. Além disso, muitas das cardiopatias
dilatadas que vão para transplante ou procedimento alternativo
são conseqüência da hipertensão, que pode
não ser causa única, mas agrava o quadro.