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Tirania da magreza
Anorexia nervosa, doença antiga
Distinção entre anorexia e bulimia nervosas
Visão típica do sexo feminino
Evolução da doença
Doença rara nos homens
Profissões de risco
Faixa etária e comportamento prevalente
Alimentação dos anoréxicos
Medicação auxiliar
Repercussões orgânicas
Tratamento da bulimia
Ineficiência de métodos preventivos











Táki Cordás é médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.

Tirania da magreza

Antigamente, um pouco de gordura no corpo era sinal de saúde. Aí veio a medicina dizendo que não há vantagem nenhuma em acumular tecido adiposo; ao contrário, que todos devemos ser magros.
Ao lado dessa recomendação médica, a pressão social do padrão de beleza que se baseia em modelos bonitas e absolutamente magras, sem um grama de gordura no corpo, tiranizou a vida de muita gente. Hoje, a quantidade de pessoas que luta para perder peso, faz dietas e toma remédios é enorme. Essa preocupação exagerada pode provocar um distúrbio psiquiátrico grave, cada vez mais freqüente, que é a distorção da auto-imagem. A pessoa se olha no espelho e vê uma figura obesa que não corresponde à realidade. Não nota a perda de gordura subcutânea nem os ossos proeminentes.
Iludida por essa falsa imagem, imagina-se com excesso de peso e diminui obsessivamente a ingesta até que, num dado momento, não consegue comer mais. Como conseqüência, pode desenvolver problemas graves de saúde que chegam, às vezes, a ser fatais.
A anorexia nervosa se manifesta especialmente nas mulheres, embora sua incidência esteja aumentando também nos homens.