
|

|
Coração
Quatro estudos esclarecedores
Síndrome da Fome Noturna
Essa síndrome é caracterizada por falta de apetite pela
manhã, insônia e excesso de fome à noite. Descrita
em 1955, a síndrome está associada a períodos de
estresse e acomete 1,5% da população geral. Nas clínicas
para tratamento de obesidade, no entanto, 12% dos pacientes apresentam
esse tipo de queixa. Entre os portadores de obesidade mórbida
esse número chega a 26%.
Num estudo conduzido na Universidade de Pensilvânia, 10 pessoas
com excesso de peso foram acompanhadas durante uma semana. Os dados obtidos
incluíam a relação dos alimentos ingeridos e o número
de interrupções do sono durante a noite, detectado por
sensores instalados na cama.
Comparados com o grupo controle, os obesos se alimentaram mais vezes
por dia (9,3 versus 4,2 vezes), acordaram com maior freqüência
durante a noite (3,6 versus 0,3) e consumiram proporção
mais alta de calorias diárias no período das 8 da noite às
seis da manhã (56% versus 15%).
Na Universidade de Tromsö, na Noruega, estudo semelhante demonstrou
que nos portadores da síndrome da fome noturna, os níveis
de melatonina e de lepitina são menores do que os do grupo controle.
Níveis mais baixos de melatonina podem explicar o padrão
alterado da arquitetura do sono nos portadores da síndrome. Os
níveis de lepitina na circulação durante o sono
estão associados à supressão do apetite enquanto
dormimos. A fome exagerada durante a noite nos portadores da síndrome
pode estar relacionada com a redução das concentrações
de lepitina no sangue.
A administração de melatonina e lepitina ao deitar está sendo
estudada no tratamento da síndrome.
Charuto e Ataque Cardíaco
Para avaliar a o risco de acidentes cardiovasculares
associados ao hábito
de fumar charuto, pesquisadores da American Cancer Society examinaram
um banco de dados com 121.278 homens que no ano de 1982 haviam respondido
a um questionário. Foram excluídos da análise: os
fumantes de cigarro ou cachimbo, os diabéticos e todos os que
apresentavam doença cardíaca prévia.
No período de 1982 a 1991, 2.508 fumantes de charuto morreram
de ataque cardíaco. Neles, o risco de doença coronariana
foi 30% maior. Fumar dois ou mais charutos por dia aumenta o risco. Entre
os que abandonaram o vício, o risco desapareceu.
Mesmo sem tragar, fumantes de charuto absorvem nicotina pelas mucosas
e respiram a fumaça que exalam. Dessa forma, correm os riscos
de trombose e aterosclerose que atormentam os fumantes de cigarro.
Freqüência Cardíaca Pós-Exercício
e Mortalidade
O número de vezes que o coração bate por minuto
está ligado à ação do nervo vago. Freqüência
cardíaca alta está associada à ação
reduzida do vago e representa maior risco de mortalidade por doença
cardiovascular.
Como a redução da freqüência cardíaca
imediatamente depois do exercício depende diretamente da ação
do vago, pesquisadores da Cleveland Clinic decidiram submeter 2.428 pessoas
saudáveis ao teste ergométrico com esteira.
Os participantes corriam na esteira até o aparecimento de um sintoma
qualquer de exaustão. A freqüência cardíaca
era medida imediatamente depois da parada da esteira e um minuto após.
O índice de recuperação cardíaca foi definido
como a diferença entre esses dois valores. A média na queda
da freqüência cardíaca foi de 17 batimentos por minuto.
Redução abaixo de 12 batimentos foi considerada anormal.
Em 26% das pessoas testadas, a recuperação foi anormal.
Entre estas, o risco de morrer por qualquer causa nos próximos
seis anos foi quatro vezes maior.
Contar o pulso ou a freqüência cardíaca ao terminar
o exercício e um minuto depois é um método simples
e barato para avaliar a necessidade de procurar o cardiologista.
Infarto do Miocárdio e Exercício Extenuante
Cardiologistas do Hartford Hospital de Connecticut estudaram 640 pacientes internados depois de infarto do miocárdio. Deles, em 64 o infarto
havia acontecido durante exercício físico.
O risco de infarto durante exercícios vigorosos foi 10 vezes superior
ao risco corrido em repouso ou relativa inatividade. Em 26 pacientes,
o evento que deflagrou o ataque cardíaco foi andar ou correr;
em 12, levantar peso; e, em 26, uma combinação dos dois.
A probabilidade de infarto aumentou de acordo com a presença das
seguintes variáveis: fumantes, sexo masculino, obesidade, colesterol
e triglicérides elevados, ausência de angina (dor no peito)
e baixos níveis de atividade física habitual.
|

|

|