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Alergia
Dermatite Atópica
Dermatite atópica é uma doença inflamatória
da pele caracterizada por lesões avermelhadas que causam coceira,
localizadas geralmente na face das crianças pequenas e nas dobras
do joelho e cotovelo das crianças maiores e dos adultos. A afecção
muitas vezes é observada em pessoas com história de alergia
respiratória.
Embora os termos dermatite e eczema sejam usados como sinônimos,
os médicos dão preferência ao primeiro.
Evolução
Dermatite atópica é uma doença crônica que
evolui com fases de ativação e de remissão espontânea.
Costuma acometer crianças ao redor do terceiro mês de vida.
Cerca de 60% a 85% dos casos se instalam já no primeiro ano de
vida.
Quem chega à adolescência sem ela, dificilmente corre risco
de tê-la, já que em menos de 1% dos pacientes a doença
tem início na vida adulta.
O quadro costuma entrar em remissão ou mesmo desaparecer antes
da adolescência em cerca de 60% a 80% dos pacientes; os demais
referem diminuição da freqüência e da gravidade
das crises.
Associação com outras doenças de fundo alérgico
Em cada três portadores de dermatite atópica, dois apresentam
quadros associados de asma ou rinite alérgica, e apenas um tem
dermatite atópica como única manifestação
alérgica. Nos meninos, a associação com quadros
respiratórios é mais freqüente. Pelo menos metade
dos asmáticos é portadora de dermatite atópica.
Conjuntivites alérgicas freqüentemente fazem parte da apresentação.
Hereditariedade
Há várias evidências de que a hereditariedade esteja
envolvida:
1 • Um estudo brasileiro mostrou que 80% dos pacientes têm
casos de alergia entre os familiares próximos;
2 • Em gêmeos univitelinos ou iguais, quando um dos irmãos
tem dermatite atópica, em 70% a 80% dos casos o outro também é acometido.
Quando os gêmeos são diferentes, essa porcentagem cai para
cerca de 20%;
3 • Quando a mãe é afetada, o risco de transmissão
para o filho é 4 vezes maior do que quando o pai é portador;
4 • Quando um dos pais é acometido, a probabilidade de o
filho desenvolver a doença é de 56%; quando pai e mãe
têm a doença, essa probabilidade aumenta para 81%.
Como surge a doença
A pele é a barreira que protege os órgãos internos
do contato com o ambiente. Suas camadas mais externas estão sujeitas
a alterações do clima e a agressões por agentes
químicos e biológicos capazes de modificar seu nível
de hidratação, sua estrutura e composição
bioquímica.
Substâncias estranhas com as quais entramos em contato (antígenos)
ou aquelas liberadas pela flora microbiana da pele podem estimular a
fabricação de anticorpos e mediadores químicos que,
em indivíduos predispostos, criam uma cascata de reações
que agride a barreira e provoca o aparecimento das lesões pruriginosas.
O ato de coçar pode agravar o processo inflamatório.
Fatores desencadeantes
Podem desencadear o aparecimento das lesões com coceira, características
do quadro:
1• Alimentos: têm papel controverso; os mais implicados são
ovos, leite, trigo, soja, peixe, amendoim;
2• Alérgenos aéreos: exposição aos ácaros
da poeira domiciliar;
3• Contato da pele com certas bactérias ou fungos;
4• Dermatite de contato: níquel e outros metais, derivados
da borracha, conservantes, amaciantes, detergentes, produtos de limpeza,
roupas de lã e
tecidos sintéticos;
5• Frio intenso e ambientes secos;
6• Calor e transpiração;
7• Estresse emocional.
Diagnóstico
Para fazer o diagnóstico os médicos se baseiam na presença
de coceira, acompanhada de dois ou mais dos seguintes achados:
1 • Dermatite crônica ou cronicamente recidivante;
2 • Localizações típicas, como a face nos
lactentes e as dobras de pele em pacientes com dois anos ou mais;
3 • História pessoal ou familiar de outras atopias (asma,
rinite alérgica, conjuntivite alérgica).
Quadro clínico
Coceira é o sintoma dominante. A intensidade depende de características
pessoais e da gravidade. Pode ocasionar escoriações e infecção
secundária. A coceira piora com a transpiração.
A pele quase sempre é seca, mesmo nas áreas
normais.
Nas crianças pequenas, as lesões avermelhadas surgem nas
bochechas a partir do terceiro mês. Aos 6 meses, localizam-se principalmente
nas regiões malares da face e no couro cabeludo.
Elas podem permanecer localizadas ou disseminar-se para o rosto inteiro,
pescoço e membros.
Nas crianças de 2 a 12 anos, as áreas mais acometidas são
as dobras do cotovelo e da região posterior do joelho. Podem aparecer
lesões na face, pescoço, punhos, nádegas, parte
posterior da coxa, dorso das mãos e dos pés.
Já nos adolescentes e nos adultos, elas tendem a ser mais difusas,
avermelhadas e descamativas, localizadas em áreas de flexão,
na face e em volta dos lábios e dos olhos.
Ocasionalmente, surgem casos atípicos com descamação
de mãos, pés, mamilos, região em volta dos lábios
e dos olhos.
Tratamento
1 • Cuidados com a pele:
A pele do portador de dermatite atópica tende a ser facilmente
irritável e ressecada por causa da perda excessiva de água.
Para evitar que isso aconteça, são recomendadas as seguintes
medidas:
•
Tomar banhos rápidos com água morna. Banhos rápidos
de imersão podem evitar a estimulação da coceira
que a ducha provoca. Usar toalhas macias e enxugar a pele com delicadeza;
•
Dar preferência a sabonetes líquidos e infantis. Sabonetes
de glicerina ressecam ainda mais a pele;
•
Aplicar hidratante logo depois do banho. Repetir a hidratação
mais duas ou três vezes no decorrer do dia;
•
Evitar irritantes como amaciantes, branqueadores e detergentes. Enxaguar
várias vezes a roupa para retirar o sabão. Não usar
tecidos sintéticos ou de lã, nem roupas novas sem antes
lavá-las e remover as etiquetas;
•
Evitar carpetes, cortinas, móveis estofados, brinquedos e enfeites
de tecido ou pelúcia;
•
Não coçar a pele.
2 • Medicamentos
Segundo os especialistas do Consenso Latino-Americano, além desses
cuidados gerais, as dermatites atópicas devem ser tratadas de
acordo com a gravidade do caso.
Os mais graves podem exigir o uso de derivados da cortisona e outras
drogas imunossupressoras administradas com o objetivo de inibir a resposta
imunológica responsável pela agressão aos tecidos
cutâneos (ciclosporina A,
azatriopina, imunoglobulina hiperimune, entre outras).
Os casos iniciais ou de média gravidade devem ser tratados com
uma nova classe de medicamentos tópicos desenvolvidos a partir
de 1998, os inibidores da calcineurina: pimecrolino e tacrolino.
Quando aplicadas sobre a área afetada, essas drogas bloqueiam
a enzima calcineurina, essencial para a estimulação da
resposta imunológica patológica responsável pela
dermatite, além de bloquear a atividade de outras células
envolvidas na reação inflamatória.
Estudos conduzidos em mais de 18 mil pacientes comprovaram que esses
medicamentos são eficazes e bem tolerados: previnem novos surtos
e provocam melhora progressiva e duradoura das dermatites atópicas.
Importante: O acompanhamento médico é absolutamente necessário.
Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhores serão os
resultados.
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