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Câncer de mama
O risco do câncer de mama
No decorrer da vida, uma em cada dez mulheres vai
apresentar câncer de mama. A incidência desse tipo de neoplasia
aumentou significativamente nos últimos vinte anos. Parte do
aumento resulta da aplicação cada vez mais rotineira de
técnicas diagnósticas como a ultra-sonografia e as mamografias,
que todas as mulheres devem repetir anualmente a partir dos quarenta
anos (ou começar antes em casos especiais). Outra parte é
conseqüência da mudança de padrão reprodutivo
feminino ocorrido nos últimos cinqüenta anos.
Durante a primeira metade do ciclo menstrual os níveis de estrógeno
na circulação aumentam, para declinar na segunda metade,
quando a produção de progesterona cresce. Não havendo
fecundação do óvulo liberado na metade do ciclo,
quatorze dias depois acontece a menstruação.
Há relatos científicos de que no início do século
XX, a primeira menstruação (menarca) das mulheres européias
e americanas acontecia aos dezessete anos, em média. Como casavam
cedo, engravidavam em seguida e permaneciam sem menstruar até
o final da fase de amamentação. Quando paravam de amamentar,
menstruavam, engravidavam novamente e o ciclo se repetia até
a menopausa, que acontecia ao redor dos quarenta anos. Ao final de uma
vida reprodutiva profícua, cada mulher havia menstruado apenas
algumas dezenas de vezes.
Por razões mal conhecidas a fase reprodutiva da mulher atual
é mais longa: as meninas começam a menstruar já
aos onze ou doze anos e a menopausa ocorre depois dos cinqüenta.
Além disso, o pequeno número de filhos característicos
da maior parte das famílias mantém as mulheres em sucessivos
ciclos menstruais, que se repetem exaustivamente por centenas de meses.
O impacto provocado pela ação repetida de estrógeno
e de progesterona nos tecidos mamários é responsabilizado
pelo aumento no risco de desenvolver câncer de mama apresentado
pela mulher moderna.
Nem todas as mulheres, no entanto, têm a mesma probabilidade de
desenvolver tumores malignos nos seios; algumas correm mais risco. De
acordo com a interferência do estilo de vida na incidência
da doença, os fatores de risco costumam ser divididos em dois
grupos: inevitáveis e modificáveis.
Fatores inevitáveis:
1) Idade: 75% a 80% dos casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos;
2) História familiar: 90% dos casos são esporádicos,
mas os 10% restantes estão ligados à predisposições
genéticas. História de câncer de mama em familiares
do lado materno ou paterno dobram o triplicam o risco. Quanto maior
a proximidade do parentesco, mais alto o risco. Deve-se suspeitar fortemente
de predisposição genética quando há vários
casos de câncer de mama ou de ovário diagnosticados em
familiares com menos de 50 anos (especialmente em parentes de primeiro
grau), casos com câncer nas duas mamas (apresentação
bilateral), ou casos de câncer de mama em homens da família;
3) Menarca: menstruar pela primeira vez antes dos 11 anos triplica o
risco;
4) Menopausa: parar de menstruar depois dos 54 anos duplica o risco;
5) Primeiro filho: primeira gravidez depois dos 40 anos triplica o risco;
6) Biópsia prévia em nódulo mamário benigno
com resultado de hiperplasia atípica aumenta de 4 a 5 vezes o
risco;
7) Já ter tido câncer de mama: aumenta quatro vezes a chance
de ter câncer na mama oposta.
Fatores modificáveis
1) Peso corpóreo: quando o índice de massa corpórea
(peso dividido pela altura ao quadrado) ultrapassa o índice de
35 numa mulher menopausada, seu risco duplica. Se ela for pré-menopausada,
no entanto, curiosamente o risco cai 30%;
2) Dieta: Consumo exagerado de alimentos gordurosos aumenta o risco
1,5 vezes.
3) Consumo de álcool: quando excessivo, aumenta 1,3 vezes;
4) Ter recebido radioterapia no tecido mamário para tratamento
de outro tipo de câncer: se ocorreu numa menina com menos de dez
anos, o risco aumenta 10 vezes;
5) Uso corrente de contraceptivos orais: aumenta 1,24 vezes;
6) reposição hormonal por mais de dez anos: aumenta 1,35
vezes.
Mulheres que apresentam fatores de risco para desenvolver a doença
devem ser orientadas a procurar o especialista para avaliações
radiológicas mais freqüentes.
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