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Abstinência de antidepressivos
Grande número de pessoas faz uso de antidepressivos.
Nos últimos anos, os chamados inibidores da recaptação
da serotonina têm sido o grupo de drogas mais empregadas no tratamento
de distúrbios psiquiátricos como depressão, ansiedade,
bulimia, estresse pós-traumático, obsessão-compulsão,
disforias pré-menstruais e outros.
Pertencem a esse grupo medicamentos como fluoxetina (Prozac, Daforin,
Eufor), paroxetina (Aropax), sertralina (Zoloft) e outros. O sucesso
dessas drogas na clínica se deveu especialmente à tolerabilidade
e segurança de uso em comparação com os antidepressivos
empregados anteriormente.
Síndrome de abstinência - No entanto,
um dos problemas mais freqüentes associados ao uso desses inibidores
é o aparecimento de síndrome de abstinência, quando
sua administração é interrompida abruptamente.
Fenômeno semelhante pode ocorrer com outros antidepressivos não
pertencentes a esse grupo, como a venlafaxina (Efexor), mirtazapina
(Remeron), etc.
Síndrome de abstinência, aqui, é definida como “um
conjunto de sinais e sintomas de instalação e duração
previsíveis, que envolve sintomas psicológicos e orgânicos
previamente ausentes à suspensão da droga e que desaparecem
depois que ela foi reiniciada”.
Sintomas da síndrome - A abstinência à
descontinuação abrupta dos inibidores da recaptação
de serotonina, surge 24 a 72 horas depois da interrupção
do tratamento e provoca os seguintes sintomas:
1) Psiquiátricos: ansiedade, insônia,
irritabilidade, explosões de choro, distúrbios de humor
e sonhos vívidos;
2) Neurológicos e motores: tonturas, vertigens,
sensação de cabeça vazia, cefaléia, falta
de coordenação motora, alterações de sensibilidade
da pele e tremores;
3) Gastrintestinais: náuseas, vômitos
e alterações do hábito intestinal;
4) Somáticos: calafrios, fadiga, letargia, dores
musculares e congestão nasal.
Na ausência de tratamento esses sintomas desagradáveis
costumam durar de uma a três semanas. Embora sejam discretos ou
de moderada intensidade na maioria dos casos, às vezes podem
se tornar mais intensos e serem confundidos com outras enfermidades.
A probabilidade de desenvolver a sintomatologia descrita é tanto
maior quanto mais longa tiver sido a duração do tratamento.
As reações geralmente estão associadas com durações
de pelo menos quatro a seis semanas, mas podem acontecer depois de períodos
de uso mais curtos.
Quanto mais rapidamente for excretado o antidepressivo, maior a probabilidade
de surgir a síndrome. No caso de drogas como a fluoxetina que
têm meia-vida (tempo necessário para eliminar metade da
droga administrada) de 2 a 3 dias, os sintomas de abstinência
podem instalar-se mais tardiamente (até uma semana depois da
interrupção).
Duas a três semanas depois de instalados os sintomas da abstinência,
costuma ocorrer um fenômeno conhecido como “rebote”:
o reaparecimento dos sintomas psiquiátricos que levaram à
indicação do medicamento.
Tratamento - O tratamento da síndrome de abstinência
é óbvio: basta reiniciar a droga cuja retirada intempestiva
foi responsável por ela. Com o reinício do tratamento
os sintomas começam a melhorar já nas primeiras 24 horas.
Para evitar a repetição do quadro, as doses diárias
devem ser diminuídas gradativamente no decorrer de quatro a seis
semanas, até que a interrupção completa possa ser
realizada com segurança.
O grande número de pessoas que faz uso de antidepressivos atualmente,
deve estar informado de que os efeitos benéficos do tratamento
pode levar até seis semanas para se tornar aparente, e que precisa
ser continuado por períodos de seis meses a um ano, para evitar
recaídas precoces. Em caso de quadros depressivos que se instalam
antes dos vinte anos de idade, em pacientes com recaídas múltiplas
ou distúrbio bipolar, o tratamento pode exigir mais tempo ainda,
ou mesmo estar indicado para ser mantido pelo resto da vida.
Durante esse período é fundamental que as doses diárias
sejam tomadas com regularidade, porque os sintomas de abstinência
podem surgir depois de apenas dois ou três dias de interrupção.
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